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Ajudar Portugal

por Nuno Barreto, em 10.01.12

Há muito tempo que ouço a célebre frase: "Eu fico em Portugal para ajudar o País". Isto parte de uma ideia de que para Portugal avançar é preciso ficarmos todos lá. E que sair é desistir. É deixar de ajudar Portugal. É deixar de criar riqueza em Portugal.

 

Eu não sei qual é a origem desse conceito, mas na minha opinião, fora em muitas raras excepções, e um conceito falso.

 

Uma pessoa que emigra, emigra em princípio para um país com melhores condições de vida em termos financeiros. Fora muito raras excepções, mesmo os que não emigram pelo dinheiro, vão sempre para um país onde os salários são superiores. E aí podemos dividir as pessoas em dois grupos. Ou tinham emprego em Portugal, ou não tinham.

 

Se não tinham trabalho, estavam impossibilitadas de contribuir positivamente para o País de forma mensurável (Excepto através de trabalho voluntário). Na melhor das hipóteses estariam a sobrecarregar o orçamento dos familiares, e na pior das hipóteses estariam a usufruir de subsídios de emprego ou rendimentos mínimos. Para uma pessoa desempregada em Portugal, a emigração é sempre largamente positiva para o País.

 

Se tinham trabalho, é verdade que deixam de contribuir através dos impostos, segurança social, e outros. Mas o emigrante vai estar a receber mais dinheiro, e a enviar dinheiro para Portugal. É dinheiro que está a entrar em Portugal, e a sair do país estrangeiro. É uma contribuição real para o aumento da taxa de exportação, pois entra dinheiro em Portugal sem sair nada de lá (excepto o recurso humano). E dinheiro que entra em Portugal, mais tarde ou mais cedo é gasto no sistema financeiro português, e é taxado a 23%. Na pior das hipóteses, é substituído em Portugal por um imigrante. Mas esse imigrante que veio trabalhar para Portugal vai tirar menos dinheiro de Portugal, que o emigrante português vai pôr. Até aí o saldo é positivo.

 

Acresce a tudo isso o facto de o emigrante quase não custar dinheiro a Portugal. Não usufrui dos serviços públicos (excepto embaixadas e consulados), não desgasta o património público, não gasta orçamento de estado na saúde ou na assistência social. Portanto, pelo menos em termos financeiros, o saldo é francamente positivo. As remessas de emigrantes já chegaram a 6% do PIB nacional, são um forte contributo para a economia, e além das remessas, muito mais dinheiro é gasto no consumo de produtos a quando das deslocações dos emigrantes a Portugal.

 

As excepções à regra são:

  1. Pessoas com capital para investir na formação de uma empresa (se o fizerem no estrangeiro em vez de em Portugal, estarão de facto a criar riqueza fora do País).
  2. Investigadores com um conhecimento importante que podem fazer avançar o País tecnologicamente.
  3. Activistas que tentem mudar as políticas do País para melhor.
Fora esses casos, que é uma fatia ínfima da população, a emigração não só não é prejudicial ao País, como é bastante benéfica.

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publicado às 14:50

Emigrar é uma medida egoísta?

por Nuno Barreto, em 10.01.08
Um bocado à semelhança do Fomos, resolvi falar um pouco desta temática tão interessante: As pessoas que se põem a criticar os emigrantes. Emigrantes, não imigrantes. Ou seja, os portugueses que criticam outros portugueses, pela decisão de irem para outro País. E a rainha das expressões é: "Emigrar é uma medida egoísta porque assim o País não avança".

Eu podia começar por falar do sentimento de "Orgulhosamente Sós", que tem origens no Fascismo. Ou do facto de isso ser uma demagogia usada pelos políticos portugueses para agradar o povo. Ou de isso ser uma total incompreensão das consequências da globalização. Mas nem vou por aí.

A pergunta que se coloca é: O que é que faz um País avançar? E na maioria dos casos as pessoas estão a pensar no dinheiro. Mas há outras formas no mínimo igualmente importantes de avanço: Educação, Saúde, Civismo, etc.

Em termos financeiros, é claro que a emigração é positiva para a economia de um País. Já vão longe os tempos em que as remessas de emigrantes representavam 10% do PIB português, mas apesar de todos os imigrantes que existem actualmente em Portugal, ainda representam cerca de 1% do PIB português.

A emigração não só contribui financeiramente para a economia portuguesa, como ainda diminui o desemprego, e baixa os gastos da segurança social. O emigrante é uma pessoa que quase não tem custos para o governo português, e que ainda por cima envia riqueza.

Se falarmos de avanço tecnológico, é verdade que em parte, pessoas qualificadas que saem do País, vão desenvolver avanços noutros países. Mas também é verdade que não é aí que Portugal precisa mais de avançar. De certa forma, essa é a única área em que Portugal não para de avançar, estando sempre na crista da onda da tecnologia. E por outro lado, esses mesmos emigrantes, ao voltarem a Portugal, trazem know-how que adquiriram no estrangeiro.

Onde Portugal precisa urgentemente de avançar, é na mentalidade, no civismo, na educação. E nisso, eu, e a grande maioria dos emigrantes portugueses, não ajudo nada em estando em Portugal. Quem tem um papel fundamental nesse campo é o governo, E por outro lado, os emigrantes ao terem contacto com outras culturas, eles próprios crescem nessas áreas. E voltando a Portugal, influenciam positivamente a cultura do País.

Em resumo, quase que parece que egoísta é permanecer no País, mas isso também não é verdade :)

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publicado às 09:30




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