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Emigrar é uma medida egoísta?

por Nuno Barreto, em 10.01.08
Um bocado à semelhança do Fomos, resolvi falar um pouco desta temática tão interessante: As pessoas que se põem a criticar os emigrantes. Emigrantes, não imigrantes. Ou seja, os portugueses que criticam outros portugueses, pela decisão de irem para outro País. E a rainha das expressões é: "Emigrar é uma medida egoísta porque assim o País não avança".

Eu podia começar por falar do sentimento de "Orgulhosamente Sós", que tem origens no Fascismo. Ou do facto de isso ser uma demagogia usada pelos políticos portugueses para agradar o povo. Ou de isso ser uma total incompreensão das consequências da globalização. Mas nem vou por aí.

A pergunta que se coloca é: O que é que faz um País avançar? E na maioria dos casos as pessoas estão a pensar no dinheiro. Mas há outras formas no mínimo igualmente importantes de avanço: Educação, Saúde, Civismo, etc.

Em termos financeiros, é claro que a emigração é positiva para a economia de um País. Já vão longe os tempos em que as remessas de emigrantes representavam 10% do PIB português, mas apesar de todos os imigrantes que existem actualmente em Portugal, ainda representam cerca de 1% do PIB português.

A emigração não só contribui financeiramente para a economia portuguesa, como ainda diminui o desemprego, e baixa os gastos da segurança social. O emigrante é uma pessoa que quase não tem custos para o governo português, e que ainda por cima envia riqueza.

Se falarmos de avanço tecnológico, é verdade que em parte, pessoas qualificadas que saem do País, vão desenvolver avanços noutros países. Mas também é verdade que não é aí que Portugal precisa mais de avançar. De certa forma, essa é a única área em que Portugal não para de avançar, estando sempre na crista da onda da tecnologia. E por outro lado, esses mesmos emigrantes, ao voltarem a Portugal, trazem know-how que adquiriram no estrangeiro.

Onde Portugal precisa urgentemente de avançar, é na mentalidade, no civismo, na educação. E nisso, eu, e a grande maioria dos emigrantes portugueses, não ajudo nada em estando em Portugal. Quem tem um papel fundamental nesse campo é o governo, E por outro lado, os emigrantes ao terem contacto com outras culturas, eles próprios crescem nessas áreas. E voltando a Portugal, influenciam positivamente a cultura do País.

Em resumo, quase que parece que egoísta é permanecer no País, mas isso também não é verdade :)

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publicado às 09:30

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27 comentários

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De Anónimo a 10.01.2008 às 12:18

Eu duvido um pouco que quadros qualificados que saiam do país para trabalhar no estrangeiro voltem a trabalhar em Portugal. A forma de trabalhar é completamente diferente ...enfim, é só a minha opinião considerando a minha própria experiência.

Quanto ao comentário de que emigrar é uma atitude egoísta que posso eu dizer? Se eu tenho ficado em Portugal, hoje estaria ainda enfiada num laboratório de um departamento universitário, a tentar convencer o meu professor para me "deixar"acabar o doutoramento em 3 ou 4 anos e não nos 6 a 8 que ele tinha previstos, não pq fossem precisos, mas pq é muito bom receber bónus anuais por cada aluno em doutoramento que se tem!! Juntando isso ao facto de que teria de sobreviver durante esse tempo à custa de eventuais bolsas e ao facto de que passados os tais 6 a 8 anos de doutoramento a "previsão de emprego = 0" (nada como concorrer em Portugal para um primeiro emprego, tendo um doutoramentot e 30 anitos, eh? a não ser claro, que se tenha um lindo factor C algures no curriculum e aí as portas universitárias e empresariais reagem ao "Abre-te Sésamo!!" ) decidi mudar de rumo.

Há já 6 anos que estou a trabalhar na Suiça. Tive que vir cá a uma entrevista de emprego que durou 5 horas, facto que me espantou bastante. A empresa para a qual ainda trabalho pagou-me na altura todos os custos de viagem e estadia num dos hotéis mais pitorescos/antigos da cidade para não falar dos 3 dias em que me levaram a conhecer várias das atracções do país.

Hoje em dia sinto-me feliz e realizada professionalmente, coisa que eu tenho a certeza não iria acontecer caso tivesse ficado no meu país.

Por isso ... egoísta?? ... depende do ponto de vista ;)
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De Nuno Barreto a 10.01.2008 às 14:06

Infelizmente a tua história não é única. Eu para já tenho ideia de voltar para Portugal mais tarde, mas não sei...
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De Suspiro a 10.01.2008 às 13:01

Sabes o que acho? cada uma deve perseguir o seu sonho. Já tive a experiência de ter estudado fora e adorei!
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De Pedro Custódio a 13.01.2008 às 16:00

Nuno,

se por um lado concordo com o teu post, a verdade é que em muitos casos acho que ser-se emigrante é um acto de egoísmo não pelo País (que me perdoem os nacionalistas) mas porque muitas vez queremos e precisamos de 'perder' algum tempo connosco próprios e fazer algo por nós, seja concretizar um sonho ou garantir o tempo com alguém que no corre corre nacional não é possível. Se esse é o egoísmo que falam eu sou totalmente de acordo...

Por outro lado o teu post, deixa-me um pouco desconcertado, eu acredito que a sociedade só pode andar na medida em que os seus cidadãos andarem e penso que esse sim é o problema de portugal, é deixarmos tudo para os políticos, eles que estão lá que tomem conta de nós e tomem as decisões por nós. Somos o País dos descontentes e dos 'reclamas' mas dos que nada querem fazer para mudar isso... eu acredito que se te mexeres as coisas acontecem, os políticos não gostam de má publicidade e se as pessoas se interessarem por isto ou aquilo e fizerem barulho o mais certo é conseguirem o que querem.

Eu acho que o papel dos que saem é tão importante como o dos que ficam, se por um lado simplificam partes da sua vida qualquer um deles não tem as tarefas todas facilitadas, há claro prós e contras das duas opções. Felizmente hoje em dia EMIGRAR não é um partir sem saber quando se vai voltar, na era da mobilidade e das tecnologias é cada mais possível estar presente não estando cá fisicamente. Penso que o importante é nunca perdermos as nossas raízes ou o contacto com elas ;)
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De landru@mail.pt a 13.01.2008 às 17:27

Na verdade, acho que te toda a razão no que escreve.
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De landru@mail.pt a 13.01.2008 às 17:35

Sabe, o tempo dos emigrantes sem formaçao e que iam de mala de cartão há muito passou. Ter orgulho e não egoismo é revoltar-nos com o que de mal vai nas nossas sociedades quer vivamos em Portugal, na Suiça ou no Curdistao. Eu tb gostava de ter sido emigrante (tenho 45 anos e já não me parece possivel), mas diferente de muitos que conheci. Quando estão em Portugal dizem que "lá fora é que é bom" e qd. estão no estrangeiro reclamam que em Portugal é que se está bem...o sol, o laissez-faire, a brandura de costumes, a gastronomia, o blá blá...
Dou-lhe os parabens pela mudança e continue firme e hirto ...pense global e actue local! E se precisar de um director financeiro com 22 anos de Banca, diga!
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De Nuno Barreto a 13.01.2008 às 18:21

Desde que domine o francês, penso que pode encontrar muitos empregos nessa área em Genève. Dê uma olhada em jobup.ch
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De landru@mail.pt a 13.01.2008 às 20:46

obrigado...não me passa pela cabeça ir para a Suiça, mas o futuro a Deus pertence!
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De Sonhos Milka a 13.01.2008 às 19:59

Nunca somos demasiado velhos meu caro.

O meu sogro tinha 50 anos quando foi para a Suiça após ter sido também emigrante durante décadas na Venezuela. E já está em Lausanne há 7 anos. Nunca pensou em emigrar por segunda vez mas o Portugal onde ele nasceu obrigou-o a isso.

Ele bem diz que não há país no mundo como Portugal para se viver mas meu amigo enquanto a mentalidade e as vontades não mudarem não é país em que queira trabalhar.

Nasci na Venezuela, cresci em Portugal. Já aprendi tudo o que tinha a aprender aqui. Por isso, que venha rápido a próxima paragem!

O discurso Kennedy "Ask not what your country can do for you; ask what you can do for your country" não se aplica na prática pois as oportunidades para retribuir neste país são absolutamente rídiculas e humilhatórias.

Sou cidadão do mundo! Levarei boas recordações mas não terei saudades...

Abraços
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De landru@mail.pt a 13.01.2008 às 20:51

Concordo consigo! Falta coragem para mudar e não se muda uma vida da noite para o dia. Especialmente quando temos uma vida confortável, um emprego estável (apesar de pouco atractivo)...filhas, etc.Só mudava pela impaciência que este país gera em todos os que não são pertença do "sistema", pelas "cunhas", falta de civismo, descrença no futuro, etc..
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De Sonhos Milka a 13.01.2008 às 22:59

Nem mais!

Se me perguntarem quais as principais motivações para arriscar uma emigração até me esqueço de referir as condições económicas!

- Melhor meio ambiente
- Melhor sistema de ensino
- Melhor sistema de saúde
- Respeito mútuo
- Civismo
- Transparência
- Crescimento intelectual
- Aventura e novas experiências

Não necessariamente por esta ordem mas dá para ficar com uma ideia. E muitas mais que poderia/deveria mencionar.

Tenho 27 anos e não me identifico com a minha geração! Para mim a honra, a palavra e o compromisso continuam a valer mais do que todo o dinheiro do mundo.

Será de mim ou apenas por ser um eterno aprendiz da cultura nipónica?

Emigro porque não sou oportunista nem egoísta! Aguardo carta de chamada :)
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De Fomos a 14.01.2008 às 17:16


Pessoalmente, tenho amigos em Portugal que me criticam por ser demasiado negativista em relacao ao estado do pais - e esses sao os primeiros a criticarem a emigracao.

A verdade, e' que eu acho que Portugal nao tem emenda. Ha uma alternancia democratica entre dois partidos que pouco ou nada mudam, e os portugueses continuam a dar-lhes o voto. O que ha' a fazer? Sair e procurar uma vida melhor.

Trabalhei em Portugal em varios sitios "tipicamente" portugueses. Horas a mais, chefes injustos, facadas nas costas, etc etc, vi de tudo a que concerteza muitos dos leitores tambem ja assistiram em locais de trabalho portugueses. Passei dificuldades economicas quando havia quem, muito gracas ao meu esforco, vivesse uma vida regalada.

Por isso, custou-me muito no passado ouvir dizer que sou egoista em procurar uma vida saudavel para mim, a minha familia, o meu filho...

Quer se emigre por uma necessidade pessoal (como eu) ou por gosto (como o Nuno), o principio e' o mesmo - procura-se uma vida melhor. Isto e' o direito inegavel de todos e cada um de nos.

O que me parece e' que as proprias criticas que em Portugal se fazem aos emigrantes sao muitas vezes feitas por aqueles que sao dominados pela mesquinhez e inveja, que tanto se ve na sociedade portuguesa.

Obrigado Nuno pelo link e por teres trazido este (tao importante) topico a superficie :)
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De Nuno Barreto a 14.01.2008 às 21:06

Infelizmente tenho que dizer que também tenho uma visão muito negativa do Portugal de hoje. A tal ponto que já nem lhe chamo Portugal. Acho que Portugal já morreu, e nós nem nos apercebemos disso. Agora o que existe é a Tugalândia, a terra do desenrasca, a terra dos espertos, onde o que interessa é o proveito próprio, não interessa como, não interessa quem sofra. Enfim, prefiro nem falar disso...
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De Anónimo a 14.01.2008 às 21:22

estimado:

Há de tudo em Portugal! Há gente boa e que se está a borrifar para a "terra da esperteza saloia". Não devemos generalizar, mas partilho muito da sua opinião.Olha-se muito para o vizinho e critica-se o outro mesmo não o conhecendo...mas os outros povos tb tem os seus problemas.
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De landru@mail.pt a 14.01.2008 às 21:41

veja http://deixemmijaroboi.blogspot.com/ e espero que acrescente algo qd puder ou quiser.Criticas sao bem-vindas.
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De Sonhos Milka a 15.01.2008 às 05:47

São pequenos pormenores que fazem toda a diferença.

Hoje recebi resposta a um dos vários anúncios a que tenho concorrido.

Resultado: não fui seleccionado. Desapontado? Nem por isso.

Porquê?

Tiveram a postura de me enviar um email personalizado a informar da decisão.

Igualmente fazem enfâse às minhas qualificações, como uma mais valia ao país e para realmente continuar a candidatar-me a ofertas de emprego dessa agência.

E todos os dias consigo pelo menos 6 anúncios muito interessantes apenas em Genève e isto porque tenho segmentado bastante a nível de critérios pessoais.

Ora mesmo não sendo o resultado esperado, enviei uma carta de agradecimento à agência.

Não nos tratam como mão de obra barata, fazem-nos sentir bem ao que respondemos ainda com mais empenho e profissionalismo.

Ora ficam as perguntas

Quantas respostas recebem de candidaturas em Portugal?

Quantas cartas de agradecimento já enviaram?
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De Hugo Bragada a 15.01.2008 às 18:02

Boa tarde, eu já vivi fora do país, na Suíça, e não tenho dúvidas que a maior diferença é a mentalidade do povo. O resto vem por arrasto...

Por exemplo, na Suíça apenas 4% da população se ocupa da agricultura , no entanto recebem os subsídios mais elevados do MUNDO. Ora isto resulta na preservação das magnificas paisagens que o país nos proporciona.

Depois há um enorme problema em relação a uma boa parte dos emigrantes portugueses, que é a seguinte, estão lá e continuam a agir como se estivessem cá, e depois claro que ficamos mal vistos. As pessoas têm que se mentalizar que se vão para outro país é a cultura desse país que deve ser adoptada por nós e não o inverso.

A mim, muito honestamente não me custa nada, na verdade sinto mais dificuldades aqui do que lá, uma vez que sempre fui educado a não por o lixo no chão, a ceder lugar seja onde for a pessoas que estejam de alguma forma debilitadas (idosos, grávidas , ...), coisas tão simples, que ao ler isto as pessoas pensam "ah, eu também faço isso"; não faz, lá ja vi várias vezes o o animal lusitano a ser repreendido por coisas destas.

Enquanto os hábitos mais básicos não mudarem, continuaremos a ser o que somos. Tenho que falar na segunda pessoa do plural porque para mal dos meus pecados nasci cá!

Eu sei que este post não foi escrito com o mesmo cuidado que os anteriores, mas se eu for a dizer aqui tudo o que penso, da maneira que penso vamos criar discussões que já ultrapassam o ambito do post!

Boa sorte para todos os que estão lá fora.
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De Nuno Barreto a 15.01.2008 às 18:22

Concordo plenamento. Faz todo o sentido o emigrante se adaptar à cultura que o acolhe. É pena que isso rarametne aconteça.
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De Hugo Bragada a 15.01.2008 às 18:05

Queria dizer como é óbvio PRIMEIRA PESSOA DO PLURAL.

Erro grave, mas que já está corrigido :)
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De Fernando Colaço a 18.01.2008 às 13:34


Saudações de emigrante!

Foi com grande prazer que gastei bastantes minutos esta manhã a consumir todos os posts no "Emigra", que acabei de descobrir por acidente.
Gostei tanto ou tão pouco do blog, que escrevi um post-estilo-testamento sobre ele (e outro semelhante q descobri via cross-link) e fiz questão de o adicionar no meu blogroll. Embora o meu blog (link abaixo) não seja sobre a mesma temática exactamente (acho que nem tem tema nenhum específico mesmo), acabo por "largar" bastantes posts na linha "emigrant-life". Ah, tenho também a categoria Emigrantolândia :).

Só saltei do barco (Portuga)l há quatro anos, mas acho que ao fim de um já tinha a certeza que não faço planos para lá voltar, pelo menos para trabalhar. Interessante o facto que não nos interessamos pelo factor "qualidade de vida" enquanto este é apenas teoria, mas saltar do país e continuar a carreira na Suiça (também em Geneve) no meu caso deu uma volta completa à realidade (aparente) onde estava anestesiado. Continua o bom trabalho e atira para aqui mais alguns posts de vez em quando.



Best regards,

Fernando Colaço
http://fcolaco.com/blog
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De Nuno Barreto a 18.01.2008 às 13:36

Obrigado :)

Bem, se estás por cá, temos de fazer aí um encontro de emigrantes :D
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De Fernando Colaço a 18.01.2008 às 14:15

Acho bem, mas tem de ser:
"Encontro de emigrantes que nao limpam os ouvidos com a unha nem usam permanente na parte de tras do cabelo nem armam barraca em todo o lado nem andam no desemprego alternadamente de proposito ha mais de 10 anos"
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De Nuno Barreto a 18.01.2008 às 14:18

É pá, se for assim, só vamos lá estar os dois :D

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