Esta sexta-feira fui trocar a minha carta de condução portuguesa por uma suíça. É uma obrigatoriedade, visto que passado o primeiro ano de estadia na Suíça, a carta de condução estrangeira deixa de ser válida, o que dá uma valente multa se formos apanhados pela polícia.
O processo é simples, rápido, e caro. É preciso ir ao OCAN, e levar o formulário preenchido e certificado com um exame ocular (que custa 20CHF), uma foto, e a carta estrangeira original. Depois de esperar numa fila durante uns 10-15 minutos, fui atendido por uma senhora muito simpática, que em 2 minutos tratou de toda a papelada, e disse-me para esperar que me chamassem para me entregarem a carta nova. Passado outros 2 minutos, chamaram-me, e recebi a nova carta, em formato de cartão de crédito, pela qual tive de pagar 150CHF. Quanto à carta antiga, é enviada para o país de origem.
Os mais atentos devem ter reparado que eu já estou na Suíça à mais de um ano. Pois é, por preguiça e esquecimento, andei ainda um bocado de tempo a conduzir ilegalmente. Mas ao contrátio de muita contra informação que anda por aí, não há problema em trocar a carta após o primeiro ano, não é preciso ir para uma escola de condução aprender de novo a conduzir, nem outras barbaridades que por aí se dizem.
Aparentemente o povo português é muito dado a contra informação. Gostam muito de inventar, para se fazerm passar por especialistas na matéria. Ou então enganam propositadamente para ganharem vantagem em relação aos outros. Digo isto porque é algo que tenho visto demasiadas vezes desde que vim para cá.
Tenham cuidado com a informação que recebem. A maioria não passam de boatos, de mitos urbanos. Por isso mesmo, a informação que encontram neste blog é informação fidedigna, provada, experimentada. Não há aqui lugar para o diz que disse.
Este blog está a passar por uma pausa pelo facto de eu ter feito recentemente uma viagem ao Japão, e estar a usar o tempo livre para colocar as minhas fotos do Japão no flickr, e para descrever a minha experiência por terras nipónicas no meu outro blog, o Simplice.
Quando acabar, e ainda deve demorar mais uma semana, voltarei a falar sobre o tema de como arranjar casa em Genève. Tenham paciência ![]()
A primeira questão que surge quando decidimos procurar casa na zona de Genève, é que tipo de casa procurar.
Primeiro que tudo, é preciso escolher a localização: França ou Suíça? Uma vez que Genève está tão perto da fronteira com a França, morar em França é uma alternativa viável. As casas são muito mais fáceis de encontrar e muito mais baratas. Em Genève um T2 ronda facilmente os 2000CHF, e em França consegue-se por quase metade do preço. Outra alternativa é o cantão de Vaud, onde as casas também são mais baratas que as de Genève, e não fica muito longe.
Mas por outro lado, essa opção implica muito mais tempo gasto em transportes, além de que torna a questão de trabalhar em Genève mais complexa e burocrática. Existe também uma diferença substancial em termos de impostos, que na Suíça são mais baixos.
Outra coisa a ter atenção é a forma como as divisões da casa são contadas na Suíça. Um T2 é um "4 piéces", por aqui. Além dos quartos, contam-se a sala e a cozinha.
Além disso, na Suíça, existem dois tipos de casas: As subsidiadas pelo estado (HBM, HLM, e HM), e as outras. O processo em cada um dos casos é bastante diferente. As subsidiadas pelo estado têm um limite máximo de salário para o agregado familiar, e as candidaturas podem fazer-se através do estado de Genève. Sobre isso falarei em mais detalhe noutro artigo.
Alugar uma casa na Suíça, especialmente em Genève, não é um processo tão fácil como em Portugal. Em Portugal é relativamente fácil alugar uma casa, há mais casas do que pessoas. Aqui, é o contrário.
O aluguer de casas é quase exclusivamente efectuado pelas imobiliárias (régies, em francês), devido à enorme quantidade de pessoas que está à procura de casa. Nenhum proprietário está para receber 100 candidaturas em uma semana, preferem dar essa tarefa às imobiliárias, às quais pagam pelo trabalho.
O processo normalmente é procurar casa em sites especializados ou nas imobiliárias, criar um dossier de candidatura a um apartamento, visitar o apartamento, e entregar o dito dossier à imobiliária responsável pelo apartamento.
Se formos escolhidos, temos de criar uma conta com o valor de 3 meses de aluguer, na qual não podemos mexer até ao fim do aluguer, pagar o primeiro mês, pagar à régie um valor pelo tratamento do processo, e marcar um dia em que a chave é entregue e tudo é explicado por alguém da imobiliária.
Cada parte deste processo será explicada em melhor detalhe nos próximos dias.
Finalmente, depois de ano e meio a viver num apartamento sub-alugado de forma ilegal, consegui um apartamento como deve de ser. Mudei-me no sábado passado.
Como muitas pessoas estão cientes, não é nada fácil arranjar apartamento em determinadas partes da Suíça, e Genève é capaz de ser o caso pior. Se arranjar trabalho tem a sua dificuldade, arranjar casa ainda é mais difícil.
Por isso, nos próximos dias vou dar algumas dicas de como conseguir arranjar casa, como é todo o processo, o que é preciso fazer, quais são alguns dos direitos e obrigações. Espero que seja útil.
Todas as semanas recebo imensos comentários e emails a perguntarem-me sempre a mesma coisa. E a resposta à maioria dessas perguntas já se encontra neste blog. Por isso, acabei de adicionar ao lado direiro uma lista de links para os artigos mais importantes.
Espero que venha a ser útil a muitos ter essa informação sempre ali ao lado.
Uma das coisas que mais gosto aqui na Suíça, é o facto de termos todas as estações do ano bem definidas. Assim todas elas são lindas.
Outono:
Inverno:
Primavera:
Verão
Para quem não sabe, a partir deste mês a Suíça passou a pertencer ao espaço Schengen. Ou seja, a livre circulação de pessoas dentro do espaço da União Europeia.
Na prática não muda grande coisa. As fronteiras já eram antes bastante permeáveis, e os bens de consumo continuam a ser alvo da alfândega. A única diferença é que quem é da União Europeia pode ficar por aqui indefinidamente. Os guardas fronteiriços continuam a ter a mesma presença esporádica nas fronteiras.
E para vocês, sentem alguma diferença?
Faz hoje exactamente um ano que cheguei à Suíça. O tempo passou mesmo muito rápido.
A principal dificuldade de adaptação foi mesmo a língua, que me continua a dar algumas dificuldades, mas mesmo isso já se tornou muito mais fácil. Quanto ao tempo, a outra dificuldade, a adaptação foi rápida, e já não me influencia.
Aventuras e desventuras de um português que decidiu sair do seu País para viver em Genebra, na Suíça.
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