Saiu hoje a notícia que já se esperava há algum tempo: A Suíça vai fechar as fronteiras a imigrantes. Só quem não conhece a situação actual da Suíça, sobrelotada de imigrantes, é que pode ficar surpreendido com esta notícia. Agora mais do que nunca, o meu conselho tem validade: Não emigrem para a Suíça a não ser que tenham emprego certo. Os centros para sem-abrigos já não têm lugar para mais pessoas.
Segundo o público, a Suíça ameaça levantar entreaves à entreada de novos imigrantes europeus. Não sei se vai avançar ou não, visto que a decisão depende de muitas outras questões políticas. Mas o que é certo é que é um sinal claro de que o mercado de trabalho suíço está demasiado saturado.
Em termos práticos não siginifica que não vão haver mais autorizações de residência para portugueses, mas sim que vai haver um limite por ano de quantas autorizações vão ser dadas. Por isso, se isto for em frente, arranjar um emprego já não será sinónimo de ter direito a uma autorização de residência. O risco torna-se ainda maior.
Update: Já têm dono.
Preciso da vossa ajuda. Muito em breve vou deixar o meu actual apartamento em Genève, na zona de Grand-Lancy. Era suposto o próximo inquilino ficar com os móveis que lá estão, mas à última da hora decidiram não ficar com o apartamento, pelo que tenho de me livrar destes móveis o mais rápido possível.
Estão todos em boas condições, e novos devem valer cerca de 2000 CHF. Estou aberto a todo o tipo de ofertas, desde receber um valor pelos móveis até pagar um preço para os levarem daqui, aceito a melhor oferta que tiverem. O importante é que até dia 27 de Novembro têm de sair daqui. Por isso, por favor, ajudem-me a livrar-me deles. As brocantes infelizmente só o podem fazer a partir do início de Dezembro, o que já é demasiado tarde para mim.
A maioria dos móveis estão nas fotografias seguintes, mas além desses ainda tenho:
Muito obrigado.
Desta vez na TVI, mais uma reportagem a mostrar os riscos de emigrar sem nada definido no País de destino.
E se dúvidas houvesse que as coisas não estão fáceis para quem "tenta a sorte" na Suíça, aqui fica uma pequena reportagem da RTP sobre o tema:
Na Suíça há portugueses a passar fome e a dormir na rua
Não aconselho ninguém a vir para cá sem ter onde ficar, ou condições para voltar para Portugal se as coisas correrem mal. Arranjar emprego cá não está fácil. Se quiserem arriscar, venham ao menos conscientes de quais os verdadeiros riscos.
(Visto no Sonhos Milka)
Há muito tempo que ouço a célebre frase: "Eu fico em Portugal para ajudar o País". Isto parte de uma ideia de que para Portugal avançar é preciso ficarmos todos lá. E que sair é desistir. É deixar de ajudar Portugal. É deixar de criar riqueza em Portugal.
Eu não sei qual é a origem desse conceito, mas na minha opinião, fora em muitas raras excepções, e um conceito falso.
Uma pessoa que emigra, emigra em princípio para um país com melhores condições de vida em termos financeiros. Fora muito raras excepções, mesmo os que não emigram pelo dinheiro, vão sempre para um país onde os salários são superiores. E aí podemos dividir as pessoas em dois grupos. Ou tinham emprego em Portugal, ou não tinham.
Se não tinham trabalho, estavam impossibilitadas de contribuir positivamente para o País de forma mensurável (Excepto através de trabalho voluntário). Na melhor das hipóteses estariam a sobrecarregar o orçamento dos familiares, e na pior das hipóteses estariam a usufruir de subsídios de emprego ou rendimentos mínimos. Para uma pessoa desempregada em Portugal, a emigração é sempre largamente positiva para o País.
Se tinham trabalho, é verdade que deixam de contribuir através dos impostos, segurança social, e outros. Mas o emigrante vai estar a receber mais dinheiro, e a enviar dinheiro para Portugal. É dinheiro que está a entrar em Portugal, e a sair do país estrangeiro. É uma contribuição real para o aumento da taxa de exportação, pois entra dinheiro em Portugal sem sair nada de lá (excepto o recurso humano). E dinheiro que entra em Portugal, mais tarde ou mais cedo é gasto no sistema financeiro português, e é taxado a 23%. Na pior das hipóteses, é substituído em Portugal por um imigrante. Mas esse imigrante que veio trabalhar para Portugal vai tirar menos dinheiro de Portugal, que o emigrante português vai pôr. Até aí o saldo é positivo.
Acresce a tudo isso o facto de o emigrante quase não custar dinheiro a Portugal. Não usufrui dos serviços públicos (excepto embaixadas e consulados), não desgasta o património público, não gasta orçamento de estado na saúde ou na assistência social. Portanto, pelo menos em termos financeiros, o saldo é francamente positivo. As remessas de emigrantes já chegaram a 6% do PIB nacional, são um forte contributo para a economia, e além das remessas, muito mais dinheiro é gasto no consumo de produtos a quando das deslocações dos emigrantes a Portugal.
As excepções à regra são:
Várias pessoas se queixam de que os comentários do blog estão poluídos. Penso que referem-se aos comentários de um tal de Nunes, que gosta muito de falar de chouriças, e que se queixa de tudo e mais alguma coisa, e que faz comentários menos positivos sobre a forma como "a Suíça" trata as pessoas. Umas vezes com razão.
Já há muito que pensei se deveria filtrar esse tipo de comentários ou não. Cheguei à conclusão que não, por várias razões.
Percebo que algumas pessoas não estejam de acordo, mas é o meu espaço, e devo geri-lo conforme a minha consciência.
As dificuldades em Portugal são do conhecimento de todos, mas parece que se agravaram ainda mais. Recebo cada vez mais emails a pedir emprego (a resposta é sempre a mesma, não tenho emprego para ninguém). Estão todos aflitos para fugir de Portugal, para o el-dorado da escolha. Seja Suíça ou outro País apetecível.
A mensagem que tenho para todos é: A não ser que ou tenham um bom nível de francês ou um CV competitivo (leia-se Informática, Engenheiro Civil, Enfermeiros e Médicos), não vale a pena nem tentar. A sério. E mesmo para quem tem um bom nível de francês, é muito complicado. Para mulheres é mais ou menos fácil de arranjar qualquer coisa, ou seja, procurem no jornal GHI por anúncios de babysitter. Mas não esperem fazer mais de 2000CHF por mês (provavelmente menos) com umas horas aqui e outras ali. Para homens ainda mais difícil é. Não é impossível, mas está lá perto.
O problema desta crise é que é uma crise global. No passado, quando havia crise em Portugal, os outros países europeus estavam relativamente bem. Mas agora já não é o caso. Há crise em quase todos os países, e mesmo que na Suíça não se sinta directamente, a verdade é que há 20x mais pessoas a tentar vir para cá. E como em todas as coisas, os melhores é que ficam. Em empregos onde antes quase qualquer pessoa conseguia entrar, nos dias de hoje pedem alguém que fale fluentemente 3 línguas (caso verídico, não vou mencionar a empresa).
Por isso, tenho pena de dar estas más notícias, mas para quem não veio já, é provavelmente demasiado tarde...
No fim de Maio vou ser pai, e isso tem-me permitido aprender algumas coisas sobre ter filhos na Suíça.
Para já, é interessante saber que uma mulher não pode ser despedida se estiver grávida, mesmo que ela não tenha conhecimento da gravidez. Por incrível que pareça isso aconteceu conosco. A minha esposa foi despedida uma semana antes de sabermos que estava grávida, e o despedimento foi anulado. Mas fora isso, não existe mais nenhuma proteção especial. Não há redução de horários, por exemplo.
Para que tudo seja coberto pelo seguro de saúde, é sempre necessário adicionar-lhe o suplemento (a ver com cada seguradora), e isso um ano antes de começar a gravidez, senão não pagam. Também dependendo do suplemento que se adquire, pode-se ter acesso a clínica privada para o nascimento ou não, por isso é bom ter atenção a isso.
No que diz respeito a licença de parto, varia para cada cantão. No de Genève são 16 semanas para a mãe, nos outros não sei ao certo, mas sei que anda tudo à volta deste valor ou pouco mais. Para o pai, depende da empresa, e em geral são só entre 1 e 3 dias. E depois disso, não há mais regalias (nem horas para aleitamento, nem nada).
Ultimamente tenho recebido imensos emails de pessoas que querem vir para a Suíça. Pensam na Suíça como a salvação de tudo e mais alguma coisa. Sinto que está na altura de chamar as pessoas à realidade.
Aqui na Suíça também há crise. Também há desemprego. Também há pessoas a passar dificuldades e fome. E a maioria dessas pessoas são estrangeiros com poucas habilitações académicas, ou com habilitações em áreas onde há pouca procura por parte do mercado de trabalho. E o que quer isso dizer? Quer dizer o mesmo que em Portugal.
Quem não tem habilitações académicas, ou tem cá algum conhecido que o ajude a arranjar trabalho, ou então as hipóteses são ínfimas. O mesmo se aplica a quem tem cursos de eletricista, canalizador, e outros trabalhos técnicos do género, porque aqui na Suíça esses cursos não são reconhecidos, e cá há muita gente com cursos profissionais reconhecidos.
Outro facto importante é que as empresas só contractam estrangeiros se não encontrarem suíços ou franceses/alemães das zonas fronteiriças. Se estivermos a falar de estrangeiros de fora da União Europeia, ainda pior, porque uma empresa tem de provar que tentou durante 3 meses encontrar suíços ou habitantes da união europeia para ocupar o lugar. E mesmo que o faça, ainda assim não é fácil.
Além disso, como é natural que se perceba, dão preferência a pessoas que já cá estão há mais tempo, porque nunca se sabe se um novo emigrante aguenta muito tempo cá. Há uma forte percentagem que não aguenta nem 3 meses.
Por fim, conhecer a língua é imperscindível.
Portanto, se um português sem qualificações se candidatar a um emprego cá, basta aparecer um suíço a se candidatar, ou alguém que esteja já há algum tempo no País, que o CV vai logo par ao lixo.
Aventuras e desventuras de um português que decidiu sair do seu País para viver em Genebra, na Suíça.
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