Desta vez na TVI, mais uma reportagem a mostrar os riscos de emigrar sem nada definido no País de destino.
E se dúvidas houvesse que as coisas não estão fáceis para quem "tenta a sorte" na Suíça, aqui fica uma pequena reportagem da RTP sobre o tema:
Na Suíça há portugueses a passar fome e a dormir na rua
Não aconselho ninguém a vir para cá sem ter onde ficar, ou condições para voltar para Portugal se as coisas correrem mal. Arranjar emprego cá não está fácil. Se quiserem arriscar, venham ao menos conscientes de quais os verdadeiros riscos.
(Visto no Sonhos Milka)
Há muito tempo que ouço a célebre frase: "Eu fico em Portugal para ajudar o País". Isto parte de uma ideia de que para Portugal avançar é preciso ficarmos todos lá. E que sair é desistir. É deixar de ajudar Portugal. É deixar de criar riqueza em Portugal.
Eu não sei qual é a origem desse conceito, mas na minha opinião, fora em muitas raras excepções, e um conceito falso.
Uma pessoa que emigra, emigra em princípio para um país com melhores condições de vida em termos financeiros. Fora muito raras excepções, mesmo os que não emigram pelo dinheiro, vão sempre para um país onde os salários são superiores. E aí podemos dividir as pessoas em dois grupos. Ou tinham emprego em Portugal, ou não tinham.
Se não tinham trabalho, estavam impossibilitadas de contribuir positivamente para o País de forma mensurável (Excepto através de trabalho voluntário). Na melhor das hipóteses estariam a sobrecarregar o orçamento dos familiares, e na pior das hipóteses estariam a usufruir de subsídios de emprego ou rendimentos mínimos. Para uma pessoa desempregada em Portugal, a emigração é sempre largamente positiva para o País.
Se tinham trabalho, é verdade que deixam de contribuir através dos impostos, segurança social, e outros. Mas o emigrante vai estar a receber mais dinheiro, e a enviar dinheiro para Portugal. É dinheiro que está a entrar em Portugal, e a sair do país estrangeiro. É uma contribuição real para o aumento da taxa de exportação, pois entra dinheiro em Portugal sem sair nada de lá (excepto o recurso humano). E dinheiro que entra em Portugal, mais tarde ou mais cedo é gasto no sistema financeiro português, e é taxado a 23%. Na pior das hipóteses, é substituído em Portugal por um imigrante. Mas esse imigrante que veio trabalhar para Portugal vai tirar menos dinheiro de Portugal, que o emigrante português vai pôr. Até aí o saldo é positivo.
Acresce a tudo isso o facto de o emigrante quase não custar dinheiro a Portugal. Não usufrui dos serviços públicos (excepto embaixadas e consulados), não desgasta o património público, não gasta orçamento de estado na saúde ou na assistência social. Portanto, pelo menos em termos financeiros, o saldo é francamente positivo. As remessas de emigrantes já chegaram a 6% do PIB nacional, são um forte contributo para a economia, e além das remessas, muito mais dinheiro é gasto no consumo de produtos a quando das deslocações dos emigrantes a Portugal.
As excepções à regra são:
Várias pessoas se queixam de que os comentários do blog estão poluídos. Penso que referem-se aos comentários de um tal de Nunes, que gosta muito de falar de chouriças, e que se queixa de tudo e mais alguma coisa, e que faz comentários menos positivos sobre a forma como "a Suíça" trata as pessoas. Umas vezes com razão.
Já há muito que pensei se deveria filtrar esse tipo de comentários ou não. Cheguei à conclusão que não, por várias razões.
Percebo que algumas pessoas não estejam de acordo, mas é o meu espaço, e devo geri-lo conforme a minha consciência.
As dificuldades em Portugal são do conhecimento de todos, mas parece que se agravaram ainda mais. Recebo cada vez mais emails a pedir emprego (a resposta é sempre a mesma, não tenho emprego para ninguém). Estão todos aflitos para fugir de Portugal, para o el-dorado da escolha. Seja Suíça ou outro País apetecível.
A mensagem que tenho para todos é: A não ser que ou tenham um bom nível de francês ou um CV competitivo (leia-se Informática, Engenheiro Civil, Enfermeiros e Médicos), não vale a pena nem tentar. A sério. E mesmo para quem tem um bom nível de francês, é muito complicado. Para mulheres é mais ou menos fácil de arranjar qualquer coisa, ou seja, procurem no jornal GHI por anúncios de babysitter. Mas não esperem fazer mais de 2000CHF por mês (provavelmente menos) com umas horas aqui e outras ali. Para homens ainda mais difícil é. Não é impossível, mas está lá perto.
O problema desta crise é que é uma crise global. No passado, quando havia crise em Portugal, os outros países europeus estavam relativamente bem. Mas agora já não é o caso. Há crise em quase todos os países, e mesmo que na Suíça não se sinta directamente, a verdade é que há 20x mais pessoas a tentar vir para cá. E como em todas as coisas, os melhores é que ficam. Em empregos onde antes quase qualquer pessoa conseguia entrar, nos dias de hoje pedem alguém que fale fluentemente 3 línguas (caso verídico, não vou mencionar a empresa).
Por isso, tenho pena de dar estas más notícias, mas para quem não veio já, é provavelmente demasiado tarde...
No fim de Maio vou ser pai, e isso tem-me permitido aprender algumas coisas sobre ter filhos na Suíça.
Para já, é interessante saber que uma mulher não pode ser despedida se estiver grávida, mesmo que ela não tenha conhecimento da gravidez. Por incrível que pareça isso aconteceu conosco. A minha esposa foi despedida uma semana antes de sabermos que estava grávida, e o despedimento foi anulado. Mas fora isso, não existe mais nenhuma proteção especial. Não há redução de horários, por exemplo.
Para que tudo seja coberto pelo seguro de saúde, é sempre necessário adicionar-lhe o suplemento (a ver com cada seguradora), e isso um ano antes de começar a gravidez, senão não pagam. Também dependendo do suplemento que se adquire, pode-se ter acesso a clínica privada para o nascimento ou não, por isso é bom ter atenção a isso.
No que diz respeito a licença de parto, varia para cada cantão. No de Genève são 16 semanas para a mãe, nos outros não sei ao certo, mas sei que anda tudo à volta deste valor ou pouco mais. Para o pai, depende da empresa, e em geral são só entre 1 e 3 dias. E depois disso, não há mais regalias (nem horas para aleitamento, nem nada).
Ultimamente tenho recebido imensos emails de pessoas que querem vir para a Suíça. Pensam na Suíça como a salvação de tudo e mais alguma coisa. Sinto que está na altura de chamar as pessoas à realidade.
Aqui na Suíça também há crise. Também há desemprego. Também há pessoas a passar dificuldades e fome. E a maioria dessas pessoas são estrangeiros com poucas habilitações académicas, ou com habilitações em áreas onde há pouca procura por parte do mercado de trabalho. E o que quer isso dizer? Quer dizer o mesmo que em Portugal.
Quem não tem habilitações académicas, ou tem cá algum conhecido que o ajude a arranjar trabalho, ou então as hipóteses são ínfimas. O mesmo se aplica a quem tem cursos de eletricista, canalizador, e outros trabalhos técnicos do género, porque aqui na Suíça esses cursos não são reconhecidos, e cá há muita gente com cursos profissionais reconhecidos.
Outro facto importante é que as empresas só contractam estrangeiros se não encontrarem suíços ou franceses/alemães das zonas fronteiriças. Se estivermos a falar de estrangeiros de fora da União Europeia, ainda pior, porque uma empresa tem de provar que tentou durante 3 meses encontrar suíços ou habitantes da união europeia para ocupar o lugar. E mesmo que o faça, ainda assim não é fácil.
Além disso, como é natural que se perceba, dão preferência a pessoas que já cá estão há mais tempo, porque nunca se sabe se um novo emigrante aguenta muito tempo cá. Há uma forte percentagem que não aguenta nem 3 meses.
Por fim, conhecer a língua é imperscindível.
Portanto, se um português sem qualificações se candidatar a um emprego cá, basta aparecer um suíço a se candidatar, ou alguém que esteja já há algum tempo no País, que o CV vai logo par ao lixo.
Algumas pessoas me têm perguntado porque é que não tenho colocado mais artigos neste blog. A verdade é que já está praticamente tudo dito. Já existem bastantes artigos no blog, com todo o tipo de informação que as pessoas possam precisar.
Prova disso, são as dezenas de emails que recebo por mês, a perguntarem-me coisas que já estão respondidas no blog. Se existem questões específicas não respondidas no blog, terei todo o gosto em criar novos artigos neste blog. Deixo por isso este repto para que deixem nos comentários sugestões para questões que gostariam de ver abordadas.
Esta semana tive a oportuinidade de conhecer um escritor português que mora na Suíça há 30 anos, Martin Santos. Aconteceu num voo Lisboa-Genève. Metemos conversa, e acabamos por falar de tudo e mais alguma coisa. Das fases pelas quais a vida passa, das dificuldades que passamos, de como ver o lado positivo em tudo pelo que passamos, enfim, muitas experiências de vida.
Já li um pouco dos livros dele, e os livros são um espelho de quem ele é. A sua vivência transpira claramente nas páginas desses livros, seja em prosa ou em poesia. É uma escrita terra à terra, que fala das coisas como são, e dos sentimentos que provocam em nós. Fala de vidas reais.
Por tudo isso, recomendo vivamente a leitura dos seus livros.
Esta sexta-feira fui trocar a minha carta de condução portuguesa por uma suíça. É uma obrigatoriedade, visto que passado o primeiro ano de estadia na Suíça, a carta de condução estrangeira deixa de ser válida, o que dá uma valente multa se formos apanhados pela polícia.
O processo é simples, rápido, e caro. É preciso ir ao OCAN, e levar o formulário preenchido e certificado com um exame ocular (que custa 20CHF), uma foto, e a carta estrangeira original. Depois de esperar numa fila durante uns 10-15 minutos, fui atendido por uma senhora muito simpática, que em 2 minutos tratou de toda a papelada, e disse-me para esperar que me chamassem para me entregarem a carta nova. Passado outros 2 minutos, chamaram-me, e recebi a nova carta, em formato de cartão de crédito, pela qual tive de pagar 150CHF. Quanto à carta antiga, é enviada para o país de origem.
Os mais atentos devem ter reparado que eu já estou na Suíça à mais de um ano. Pois é, por preguiça e esquecimento, andei ainda um bocado de tempo a conduzir ilegalmente. Mas ao contrátio de muita contra informação que anda por aí, não há problema em trocar a carta após o primeiro ano, não é preciso ir para uma escola de condução aprender de novo a conduzir, nem outras barbaridades que por aí se dizem.
Aventuras e desventuras de um português que decidiu sair do seu País para viver em Genebra, na Suíça.
. Artigos principais
. Como arranjar trabalho na Suíça
. Outros Emigras
. Fomos...
. Litux
. LusoFin
. Ruinix
. Athoele
. Meus Blogs
. Simplice
. Portugueses a passar fome...
. A Suíça não é um mar de r...